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| a porta que leva ao ''buraco da vergonha'' |
Eu me lembro muito bem de ontem. Eu tive prova (sim, no sábado) e estudei porque precisava de pontos em química. Chegando lá, consegui fazer as questões bem bonitinhas, mas na hora que fui passar o gabarito eu as marquei errado e fiquei com vergonha de pedir outra folha de respostas. Até aí ok, mas onde já se viu, eu, Cecília, sair da escola e ficar me dando ao trabalho de agradar uma pessoa que nem se importa tanto comigo estando desconfortável numa situação em que o assunto girava ao redor dessa outra? Pra piorar, um moço me pediu uma moeda de 10 centavos e mesmo eu tendo 50 centavos que eu não havia planejado usá-lo eu disse que não tinha dinheiro. Nossa, eu fiquei e ainda estou muito mal por isso. Aí você me pergunta se eu voltei pra pedir desculpas e dar a moeda? Bem, a resposta é não. Eu não tive coragem. Então fui para a casa triste por conta disso. Mais espera, ainda tem mais! Uma moça deixou um papel cair do meu lado e eu segui andando, mesmo tendo visto essa cena. E uma outra moça parecia triste enquanto varria a calçada e eu não tive coragem de dar nem um ''bom dia!'' para ela.
Eu fiquei tão decepcionada comigo ontem, nossa, ainda estou bem triste pra falar a verdade. Pessoas precisaram de mim, inclusive eu mesma, e eu não consegui ajudar porque uma coisa dentro de mim me parou. Não sei se foi medo, só sei que isso foi incrivelmente desconfortável. Não quero ser assim. Quero ser bondosa e gentil. Fazer as pessoas felizes por ser eu mesma. Vou me esforçar e melhorar isso. Não quero magoar mais a mim mesma. Vou tentar fazer certo daqui pra frente e se der errado continuarei tentando. Só quero deixar a minha marca no mundo. Uma marca que me orgulhe.
Se quiser responder a pergunta do título contando uma história, como eu fiz, gostaria muito de ler e tentar entender seu lado, isso seria legal.
Obrigada por estar aqui! 💛
oi cecília! eu senti necessidade em comentar nesse post porque eu me senti extremamente representada, porém eu sou assim todos os dias sabe? eu nunca tenho coragem pra fazer bem pros outros. me falta iniciativa, falta iniciativa pra falar com gente que eu admiro, pra ajudar quem precisa, pra elogiar as pessoas; é quase como se eu fosse sempre o fantasminha que tenta incentivar as pessoas a serem melhores umas com as outras mas nunca faz nada de bom pra ninguém ou pra si mesma. mas eu sei como tu te esforça, apesar de não te conhecer pessoalmente eu acredito que a escrita seja a forma mais genuína de conectar os sentimentos das pessoas e eu sinto que tu realmente não é uma pessoa egoísta ou medrosa como eu. eu realmente admiro muito a tua coragem, cecília, e sei que tu vai sair amanhã e fazer dez vezes melhor que ontem.
ResponderExcluiressa postagem me tocou profundamente, e por teu blog sempre me deixar à vontade pra escrever o que penso e sinto, eu vou sim responder à pergunta do título. eu meio que me decepciono com certos hábitos meus, mas tem um particular que sempre me marca e me deixa cada vez mais aturdida e me entristece imenso. é que tem um menino na minha escola que aparentemente nunca gostou muito de mim, e no início do ano eu realmente - apesar de toda minha timidez - tentava ser legal com ele quando estávamos juntos, mas ele era sempre grosseiro com todo mundo e pisava nos sentimentos dos outros. eu sempre dizia pra ele não ser assim porque é crueldade tratar os outros como inferiores, mas ele chegou ao ponto de me chamar de insuportável e algumas vezes até me agredir fisicamente (principalmente nas aulas de educação física, em que isso passava batido). eu acabei pegando muito rancor desse menino e por mais que eu sempre tente ser bondosa, eu não consigo parar de tratá-lo mal e de diminuir ele, como ele fazia comigo. eu não quero ser assim, porque devolver violência com violência não é o certo e eu acredito que eu nunca vá ser plenamente feliz sendo que toda vez que eu chego em casa e a adrenalina passa, eu me arrependo profundamente de tudo que eu disse ou fiz em relação a ele. sendo assim, acho que minha última decepção foi nessa sexta-feira, pois foi a última vez que o vi e a última vez que quase bati nele - logo eu, que apesar de esquentada, odeio violência e prefiro mil vezes um debate amigável a tomar medidas tão extremas e opressivas.
eu acabei por ser bem honesta com relação a como me sinto (acho que nunca falei sobre isso pra ninguém de forma tão pura) e te agradeço muito por ter feito essa postagem, que me incentivou a encarar o pior de mim e pelo menos confessar que ele, de fato, está ali - acredito que reconhecer os meus demônios seja o primeiro passo para superá-los. desejo tudo de bom a ti, cecília, e que a cada dia sejamos apresentadas a uma melhor versão de nós!