Você já assistiu Divertida Mente? Por muuuuuito tempo, desde a primeira vez que eu o vi eu me identifiquei com a Alegria, bem, pelo menos com o que ela demonstrava no início do filme. Gostava dessa Alegria. Aquela que é feliz, pensa positivo e sempre busca viver um dia alegre. Eu tinha raiva da Tristeza. Quando eu tinha vários amigos, no começo do ano, e erámos um grupo de 5 pessoas, um deles me intitulou a ''Alegria''. Fiquei intensamente feliz. Mas eu não percebia que a Alegria que eu enxergava não é a verdadeira Alegria do filme. Eu não percebia que a alegria dentro de mim estava tomando conta de quem eu sou. E isso não era sempre bom.
Quando eu estou triste eu me sinto mal. Não só por ter acontecido algo que me deixou assim, mas se sinto mal por estar triste. Na minha cabeça a Cecília não pode estar triste se não ela não é a Cecília. É como se quando eu não estou feliz, eu tenho menos valor.
Eu já aceitei que problemas vão acontecer. Isso é até legal porque pelo menos haverão mais aventuras e lembranças no futuro. Eu só não aprendi a lidar com eles. Eu botei na cabeça que estar alegre e lidar com os problemas com alegria é a solução. Alegria = felicidade. É matemático. Pelo menos era. Isso pode ser bom no começo mas depois vai se acumulando e se torna uma avalanche de decepção.
Eu percebi que se tivesse um sentimento que me comandasse não seria a alegria e sim o medo. Eu tenho medo de sentir tristeza, o que faz com que eu me perca na minha mente sendo que o que ela precisa em alguns momentos é apenas sentir.
Spoiler Alert! Sabe no fim do filme, quando a Alegria percebe que a Tristeza é tão importante quanto ela? Isso é tão óbvio e explícito no filme que acho que só não reparei nisso porque minha cabeça ainda se recusa a crer que preciso sentir. Alegria é imensamente importante, mas preciso sentir a tristeza pra me recuperar emocionalmente.
Na minha cabeça é como se quando qualquer coisa triste acontece é hora de fugir desse sentimento melancólico e buscar a alegria de novo. Acho que a imagem que nos é projetada nas redes sociais só intensifica essa sensação que indica que a tristeza é ruim e alegria é boa, é como se quando eu estou triste é porque eu tô fazendo tudo errado. Mas isso não é culpa das redes e sim da minha cabeça que não percebe o quanto esse pensamento é errado. Pelo menos agora eu sei disso. Fica mais fácil de mudar! Momento metalinguagem: eu estou sendo positiva enquanto falo que quero ser positiva aceitando a tristeza logo depois de aceitar a tristeza. (talvez isso não faça sentido mas pra mim está mais claro que esse sol na minha cara nesse momento).
Tento curar as minhas tristezas, medo e ansiedade assim, botando um sorriso no rosto. Acontece que esse sorriso é vazio. Na verdade o que eu preciso é justamente chorar. Me permitir chorar e aceitar a tristeza. Foi quando eu me senti impotente que eu percebi a importância da tristeza. Enquanto eu chorava e me deixava sentir. Só assim a alegria dentro de mim encontra forças pra se erguer e voltar. Ela pode ser a principal dos meus sentimentos, assim como dentre os da Riley, mas tá na hora de dar mais importância para as outras coisas dentro de mim.
Agradecimentos do coração:
Obrigada Lulu, por ser a melhor amiga de todas, me dando conselhos e compartilhando comigo sua sabedoria. Obrigada por me ouvir! (mesmo que agora não estejamos bem uma com a outra)
Obrigada Fábio, pelas melhores aulas que eu já tive e por nutrir meu amor por literatura!
Obrigada Nuvem, por me mostrar que é vida não é uma linha reta, mas sim uma estrada com curvas (e muitas)!
Obrigada Camilinha, por me dizer que é importante cuidar de si pra depois cuidar dos outros e que não devo ultrapassar o meu limite!
Obrigada por estar aqui!

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