03 fevereiro, 2020

o ovo

Fé é uma coisa louca, né?

Desde pequena sempre questionei muito. Gosto de tentar entender como as coisas funcionam e como criá-las [por isso acho que escolhi muito bem quando decidi que quero estudar design]. Infelizmente chega um momento que para algumas pessoas é simples, mas que, pelo menos no meio em que convivo sempre é algo muito espalhafatoso: no que diabos eu acredito?

Religiões são legais, na minha opinião, exceto a parte em que elas conseguem segregar pessoas. Mas isso não é culpa da religião, é culpa das pessoas. A religião é mais que uma crença, é um laço único entre o indivíduo e o Universo. Eu acho tão massa ver pessoas que creem firmemente em algo, sabe? Por mais que eu discorde totalmente, sempre me admira ver pessoas falando sobre o que gostam com os olhos brilhando. Nos últimos anos senti falta de ter isso para mim.

Minha família é grande e muito religiosa, mas sempre me incomodei com certos pensamentos um tanto arcaicos da igreja. Já sabia que eu acreditava [e ainda acredito] em algo maior que nós, meros mortais, mas não fazia ideia do quê. Essa fase da minha vida foi meio conturbada e acho que esse fator só aumentou tudo isso. Comecei a buscar por várias religiões diferentes. Me lembro que na época eu estava lendo 'Quem é você, Alaska?' e achei muito interessante a aula de religiões do Miles, tanto que pesquisei por várias delas e daí a ideia de reencarnação ficou mais clara na minha mente.

Sério, e agora eu espero que nenhum familiar cristão e fervoroso esteja lendo isso, eu queria muito tentar imaginar que existe um céu e inferno mas não entra na minha cabeça que a gente morre e passa o resto da nossa ''não mais vida'' em um desses lugares. The Good Place acabou semana passada e consegui ver isso com muito mais clareza. Eu tenho certeza que morreria de tédio, tanto por ser feliz todos os dias, quanto por ser torturada sem parar. Eu gosto muito mais da ideia de reencarnação, mas, por incrível que pareça, as religiões que também creem nisso já não me atraem tanto.

No fim das contas, acredito mesmo é que o Universo é muito poderoso. Ele é a coisa maior que todos nós e sempre planeja tudo. Acredito na lei da atração também. Gosto de pensar que todas as vidas na Terra são uma só, que convergem no espaço e tempo, já que o tempo é uma ilusão criada pelo ser-humano para calcular quanto falta para acabar sua vida. Pensa comigo: se todos nós somos o mesmo, quando alguém é grosso com você, essa pessoa também é você, mas em outra vida. Ao longo das vezes em que voltamos a existir vamos nos aprimorando espiritualmente até nos tornarmos algo tão grande que podemos ter nosso próprio Universo! Pensar nisso me faz ser mais gentil, já que não quero machucar outra pessoa, que no fim das contas, sou eu mesma. Ou seja, vivemos num ovo.

Isso pode ser muita loucura e no fim os cristãos, ateus ou até aquele cara de The Good Place estavam certos? Com certeza. Mas ter algo para acreditar me torna mais feliz e acho que é disso que as religiões se tratam, afinal. É sobre ter essa ligação tão forte consigo mesmo que te faz querer viver isso a todo o momento. Pelo menos é assim que eu me sinto :)

Você acredita em algo? Se se sentir à vontade para me contar, vou amar saber!


Obrigada por estar aqui! 

6 comentários:

  1. Eu vi no seu Instagram que passou em Design, parabéns Cilis. Bom curso e me faça uma lembrancinha quando terminar, eu pagarei com abraços, e vou ser sua primeira cliente de fim de curso.

    Você não deve se prender a religiosidade. Tem uma religião não é um rotulo. Na religião cristã, por exemplo, as pessoa acreditam em Jesus Cristo, o homem que desceu a terra sendo filho de Deus e ajudou muito pessoas com seu amor e sua humildade. E geralmente as pessoas que seguem essa religião não seguem o próprio ensinamento de Jesus, que é amar uns aos outros como a si mesmo, o que afastou muitas pessoas dessa religião, e tem afastado ainda. Esse afastamento fez com que as pessoas tivessem um certo "medo" de seguir qualquer coisa que levem ela ao céu ou ao inferno, pois ela tem medo de encontrar Jesus e ele ser a retratação do que os cristãos fizeram dele em terra. E sendo que ELE NÃO É, Ele simplesmente ensinou a amar, a ajudar, a compreender.

    A religiosidade é você fazer tudo com base no que te ensinaram, e não naquilo que Deus realmente quer que você faça. Deus nunca disse "vou te colocar na terra pra matar um gay por mim", ou algo do tipo. E é o que as pessoas que creem e que não creem acreditam. É ridículo não é? O que eu acho sobre isso é que se você não estiver pronta para amar as pessoas (todas elas) a sua volta, não estiver preparada para ajudar, para orar, para servir, nem entre em uma religião. Todas as religiões boas (que seguem o lado bom) tem a praticamente quase a mesma linha. No budismo, por exemplo, você acha que conseguiria ser calma, entrar em estado nirvana sempre, ter tempo para meditar e etc? Eu acho que não somos nós quem escolhemos isso, e sim a força maior, Ela meio que vai nos guiando para o que Ela acha melhor.

    E sobre o The Good Place. Eu acredito que o inferno seja 1000x pior do que retratam em Supernatural, e o paraíso seja 1000x o que retratam em TGP. Pra quem leu Gênesis, já tem uma pequena ideia de como seria. Eu só espero que nós possamos andar vestidos, ou pelo o menos esquecemos da vergonha que é ver outro corpo nu.

    Sobre a pergunta final. SIM, mas eu não sigo. Eu não consigo orar, não consigo ir pra igreja, mas eu já senti Jesus. E acredite, é a melhor sensação do mundo. Acho que você querer Jesus na sua vida, ou Iemanjá, ou Buda, ou Alláh, ou qualquer outro Santo, Deus ou símbolo de qualquer outra religião. É uma decisão, muito importante, pois afinal você não tem que seguir só porque você acha que é isso que falta na sua vida, e sim por amor. É o amor que rege o universo, e estamos o matando sendo tão ignorantes, egoísta, hipócritas e arrogantes.

    Desculpa esse comentário bem bagunçado, e eu mal consegui me expressar bem. A situação aqui em casa com o meu irmão está me matando por dentro, e estou me segurando pra não socar ele de ódio, ou seja, tudo que disse que vai contra o que devemos ser pro universo. Lindinha eu. Até a próxima. Ainda estou esperando as fotos AAaaAa

    Com muito amor, Oceane. {Peach Aesthetic} ❀✧

    ResponderExcluir
  2. Eu não sou uma pessoa religiosa, mas sou uma pessoa espiritualista, eu acho. Sempre pesquisei muito sobre religiões e nunca consegui seguir muito nenhuma — exceto em 2015, que entrei para um terreiro de Umbanda. Foi a religião que mais chegou perto de me "prender", mas ainda assim não parece ser o caminho certo pra mim. Enquanto isso, continuo lendo, pesquisando, vendo aonde a vida me leva...

    Acho a espiritualidade de extrema importância, e não digo isso no sentido de acreditar em espíritos ou coisas assim. Todo e qualquer tipo de espiritualidade é bem vinda, e engana-se quem acha que ateus não têm espiritualidade. Meu irmão é budista ateu (sim, isso é possível) e a espiritualidade que ele exerce tem ajudado bastante nos momentos complicados que estamos vivendo.

    Jung fala um pouco sobre o fenômeno da espiritualidade e como ele é importante para os seres humanos, independente de crença. Caso queira se aprofundar mais, tem um livro chamado "Jung: vida e obra" da Nise da Silveira que tem uma parte que fala um pouquinho sobre o pensamento do Jung acerca de religião/espiritualidade. Recomendo a leitura. :)

    Beijinhos!

    ResponderExcluir
  3. Uau adorei o significado do título!

    Mas eu também não vejo as pessoas no céu ou no inferno. E se a pessoa for mediana? Fora que eu também penso como você, que deve ser super entediante viver todos os dias no mesmo lugar, da mesma forma. Mesmo que esse lugar seja o céu. Eu acredito em reencarnação. De alguma forma sabe. Que a gente vai reencarnando de vários jeitos. Como pessoas, animais, plantas, qualquer coisa viva.

    Boa semana pra você Cílis ♥

    ResponderExcluir
  4. Oi, Cecília. Tive a impressão de que o título dessa postagem é a resposta para aquela pergunta "Quem veio primeiro, a galinha ou o ovo?". Eu também desde pequena questionei muito, sempre estudei em colégio católico, mas parte da minha família é espírita. Muito nova, aos 13 anos, decidi me assumir ateia. Eu não conseguia me encontrar, nem acreditar em nada. Sim, o Universo é muito poderoso e a minha vida mudou muito quando descobri a espiritualidade que existe em mim e na minha vida. Finalmente, aos 19 (e agora tenho 20), encontrei a religião em que eu pude me identificar 100%. Eu senti que era verdadeiramente tudo o que eu acreditava e acredito, me encaixei e me encontrei nela, e eu não poderia estar mais feliz!

    Os seus pensamentos do 5º parágrafo são muito interessantes, para falar a verdade eu acredito em parte o que você escreveu. Isso de sermos um só conectados à Terra é verdade, estamos todos ligados na grande teia universal.

    Um enorme beijo para você ♥

    ResponderExcluir
  5. Não tenho nenhuma crença religiosa porque em um determinado momento da adolescência percebi que nunca tive a permissão de escolher no que eu queria crer e simplesmente aceitei o que me contaram. Dali em diante questionei tanto que nada mais fez sentido e percebi que minha falta de fé na religião, seja ela qual fosse, era motivada por eu não sentir uma existência superior como muitas outras pessoas. Seu texto me gerou bastante reflexão... (e estou enrolando pra acabar The Good Place porque não quero desapegar).

    Limonada

    ResponderExcluir
  6. olá! já vou começar dizendo que estou visitando teu blog pela primeira vez e me senti super aconchegada; que lugar gostosinho você criou na blogosfera! dá vontade de ficar uma hora aqui explorando tudo dksjs

    também gostaria de te contar duas coincidências:

    a primeira é que acabei de escrever uma postagem mencionando the good place também, e aí vim parar aqui, numa postagem inspirada pela série também

    a segunda é que muito recentemente eu tenho pensado e voltado a me conectar com minha espiritualidade. penso muito parecido contigo, e acho que o princípio básico da nossa fé é igualzinho, como deve ser: algo que nos impulsione para o bem e preencha nosso coração. eu sou católica, mas passei por uns dois ou três anos de questionamento, de negação, de explorar outras religiões e me enfiar em locais que nem me faziam tão bem assim.

    no início desse ano decidi voltar pra igreja católica de vez, estudar a bíblia, rezar e conversar com Deus, e isso têm mudado tanto minha vida que nem sei explicar. às vezes abro a bíblia aleatoriamente e encontro uma passagem exatamente sobre o que estou precisando; às vezes rezo e me sinto tão confortada quanto se estivesse chorando ou contando uma vitória pra um amigo muito próximo, sabe? e quanto mais busco conhecimento sobre a doutrina, a Palavra e a história da minha religião (que vamos combinar não é lá essas coisas né, só olhar pra inquisição eca), mais consigo amar as pessoas e me aproximar da pessoa que quero me tornar.

    mas sou viciada em estudar outras religiões, inclusive tô até lendo um livro espírita agora. você falou sobre segregação e menina, SIM! duas coisas que me incomodam nesse aspecto são a segregação mesmo e a exploração da fé ou desespero das pessoas. religião é sobre amor, sobre seguir nossa vida em comunidade com pessoas que acreditam nas mesmas coisas ou sobre buscar conforto em algo maior que a gente, não sobre ganhar dinheiro, julgar ou torcer o nariz pro outro.

    enfim, desculpa o textão, tu me fez refletir dksjdks e aaaa nem acredito que the good place acabou :(

    ResponderExcluir

♡ Olá!! Sinta-se à vontade para falar o que achou da postagem! Fico feliz que você esteja aqui! Volte sempre que quiser! ♡

Pessoas incríveis demais (meus ingredientes secretos):