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23 novembro, 2025

quem não sabe fazer copia mesmo, né

Esse é um post muito difícil para mim. É muito mais do que um texto de desabafo, como costumeiro. Esse é o início do fim de uma fase e um sentimento que me assombra desde que me conheço por gente. E ao fim da leitura, declararemos luto ao sentimento horrível que sinto quando percebo que alguém está me copiando.

A terapia essa semana foi brava. Mais uma vez o tópico foi algum caso de alguém que fez algo depois de me ver fazendo e eu fiquei irritada com isso. Sei que pode parecer que sou egocêntrica, mas deixe-me apresentar o mundo da minha perspectiva. 

Eu cresci até os 4 anos em casa, como filha única. Era a única criança da família, 5 anos depois da minha prima mais velha. Eu não me considero mimada, mas obviamente, na época, tive algumas regalias. Em 2005, nasce minha irmã. Eu sempre quis muito uma irmã. Cresci vendo desenhos e parecia muito divertido ter alguém todos os dias com quem poderia brincar. Ela ganhou o nome da bruxinha loira do meu desenho favorito da época, o nome que eu escolhi. Meus pais me prepararam muito para recebê-la. Minha mãe me mostrava a barriga dela e sempre apontava para bebês recém-nascidos na rua e dizia: ''é assim que a sua irmã vai vir''. Mas eu escutei? Não. Imagine minha cara de frustração quando minha família voltou do hospital, me apresentou a criança e a primeira coisa que eu disse foi: ''Isso aí que é a Sabrina?''

kkkk eu amo essa história. Eu realmente achei que ela viria uma criança do meu tamanho, para brincar comigo.

Minha irmã foi crescendo e naturalmente, fazia muitas das coisas que eu fazia também. O problema é que nossas criações foram um pouco diferentes. Minha irmã teve uma complicação no parto, então nos seus primeiros anos de vida, foi necessária maior cautela com ela. Naturalmente, eu fui deixada um pouco de lado para priorizarem a saúde dela. Estou chorando escrevendo isso porque acho que irmãos mais velhos entendem um pouco esse sentimento de que tinha tudo e agora você não é mais a prioridade. Com isso, a minha reação foi ir atrás de me desenvolver. Tinha as responsabilidades da escolinha e não queria me sentir um peso para meus pais, então fui me virando sozinha. Buscava tirar minhas dúvidas, fazer minhas tarefas de casa e me comunicar com quem precisasse sem pedir ajuda. Acabou que a minha vida acadêmica inteira foi se desdobrando dessa maneira. Lembro do meu pai me dizendo: ''Acho legal porque eu nunca precisei te ajudar na escola, Você sempre fazia as coisas sem que te pedissem''. Acho que era pra ser um elogio, mas isso me doeu muito.

Minha mãe foi conversando comigo enquanto minha irmã crescia, dizendo: ''você é um espelho da sua irmã. Ela vai te ver fazendo as coisas e vai querer fazer igual, ela vai seguir o seu exemplo''. Isso é bem duro de se ouvir aos 6 anos de idade. Minha irmã não demorou a querer fazer as coisas que eu fazia e querer ter coisas que eu tinha. Sempre odiei isso. Eu já não tinha muita atenção, e agora ela queria ser como eu? 

Na escola eu não me livrei disso. Eu não era a melhor das alunas. Tinha muita dificuldade com o sistema educacional, mas se tem algo que eu sempre tive aptidão, isso eram as aulas de artes. Eu amava me expressar pela cores. Amava o sentimento imersivo que criar sempre me trouxe. Ainda tenho isso em mim! Os coleguinhas que viam isso também aparentemente gostavam bastante e não tardaram a reproduzir minhas ideias em seus trabalhos. Eu costumava sentir bastante raiva nessa época.

No ensino médio, comecei a desenvolver minhas crises de ansiedade pois estudava em uma escola focada em estar no ranking de melhores preparatórias para o enem. A pressão me veio com muita força e em 2018 tive minha primeira crise. Eu não sabia o que era aquele sentimento, então fui conversar com o meu professor favorito que também era o vice-diretor. Lembro das palavras exatas dele dizendo: ''eu te vejo como uma pessoa muito insegura''. Foi bem chocante para mim porque eu via muitos vídeos sobre auto confiança e não imaginei que eu fosse insegura. Foi quando percebi que confiança não é somente sobre aparência (tópico esse que nunca foi um grande problema para mim). 

Quanto mais eu me observava, mais notava que eu não gostava da minha personalidade, por isso era tão insegura. Lembro do sentimento horrível de concluir que se eu fosse uma pessoa separada do meu corpo, eu nunca seria minha amiga. Isso doeu em mim por anos. No terceiro ano do ensino médio resolvi ir atrás de resolver isso. Chega de me sentir assim. Busquei me conhecer melhor, primeiro reconhecendo meus pontos fortes. Percebi que sou uma pessoa que é boa em respostas rápidas e, em certas circunstâncias, isso fazia de mim uma pessoa engraçada. Comecei a me envolver em ativismos como feminismo e foi quando também me tornei vegetariana. Descobri que amo criar, tanto arte quanto artesanato, o que me ajudou a escolher a faculdade de design de produto. Esse foi um ano importante para mim. Fiz amigos que tenho comigo até hoje. Mas me aproximei de pessoas que me causaram um grande mal...

Tinha essa menina, vamos chamá-la de Atena. A Atena era muito engraçada e confiante. Ela era uma pessoa que sempre admirei. Muito bonita e cheia de carisma. Porém, ela também era instável. Não dava para saber como estaria seu humor a cada manhã de aula. Apesar disso, ela era alguém legal de se ter por perto. Entretanto, ela tinha o péssimo hábito de pegar raiva dos amigos com frequência. Se um dia estávamos bem e eu fizesse algo que a incomodasse, ela me jogava de escanteio e se aproximava de outra pessoa. Depois a gente ''se perdoava''. Passei a ignorar minhas opiniões e coisas que queria dizer ou fazer por medo de ela não gostar e me afastar dela. Na minha cabeça isso era o certo. Queria ser uma boa amiga para ela. Sabia que Atena tinha algumas questões pessoais. Quero culpar aqui a Riley de Garota conhece o Mundo, o seriado amaldiçoado da Disney. Essa praga também sofria com a melhor amiga e em um episódio ela romantiza que está tudo bem ser o saco de pancadas e receber os sentimentos confusos da sua amiga, por mais que te machuque, Eu era uma adolescente confusa. Assistir aquilo fez parecer o certo. Cici do passado, me desculpe por isso.

Acontece que terminei o ensino médio em 2019 e o ano seguinte a pandemia veio. Era meu primeiro ano de faculdade. Estava muito animada e cheia de esperança, porém a pandemia não me permitiu fazer muitas amizades. Eu era caloura e conhecia meus colegas apenas pela voz, porque ninguém ligava as câmeras nas aulas remotas. Continuei amiga da Atena, e me aproximei de outra menina da minha sala, vamos chamá-la de Frida. Fazíamos sempre todos os trabalhos juntas, mas ela era muito boa em se comunicar, então acabava tendo mais destaque nas apresentações. Ela também tinha alguns sentimentos conflitantes e acabava descontando em mim.

Em 2021 eu comecei a sentir sentimentos um tanto quanto sáficos pela Atena e ela correspondeu. Acabamos tendo um caso que virou um namoro em 2022. Durou literalmente um mês. Ela me deixou porque ''o problema não é você, sou eu''. Doeu muito perdê-la. Em parte porque gostava muito dela, principalmente como amiga. Mas principalmente, o que mais me feriu foi ver que o esforço que tanto tive para cuidar dela e mantê-la por perto não serviu de nada. Isso me deu força para entender que tanto o relacionamento com a Atena quanto com a Frida eram tóxicos. Foi complicado, mas me afastei da Frida quando as aulas presenciais voltaram. 

Em conclusão, esses dois casos me fizeram notar que eu queria a atenção delas. Quando elas reproduziam algo que eu fazia, me magoava porque elas já eram tão maneiras. Me sentia um nada perto delas.

Algumas coisas que aprendi na terapia com esses casos, especificamente são:

1) pessoas confusas realmente magoam pessoas incríveis;

2) pessoas que crescem sem muita atenção tendem a se tornarem resolvedoras dos próprios problemas. Porém, para se sentir inclusas nos grupos de amigos, elas sentem que precisam ser úteis naquele meio. Naturalmente, essas pessoas acabam atraindo pessoas com muitos problemas e se sentem no dever de ajudar a cuidar e curar aquela pessoa. Não é sua responsabilidade cuidar do outro. Não tem porquê se sentir culpada em não ajudar. Seus amigos não andam com você porque você é útil (mas se sim, talvez seja melhor repensar essa ''amizade'').

Agora, vivo uma situação parecida, com uma das meninas que mora comigo, a ''Yuki''. Contei sobre a Yuki no post passado, mas essa semana ela estava impossível. Ela me pediu minhas coisas emprestadas várias vezes, sendo que obviamente estávamos meio brigadas, acho que foi para chamar minha atenção. Desde que nos mudamos, eu mostro coisas e dou dicas de coisas que eu acho que podem ser úteis para ela também. Porém a diva sempre fica observando tudo que eu faço. Ela pergunta muito sobre tudo. Quando, nas primeiras semanas que nos conhecemos, eu contei que faço pós em moda, ela quis saber onde era, para fazer também. Essa semana ela falou ''olha, misturei colares prata e dourado igual você''. Ela costuma comprar comidas como as minhas, das mais variadas. Hoje mesmo, ela me viu fazendo strogonoff e comprou brócolis para fazer também. Outro dia, ela achou de bom tom me falar:

- vi que você compra bastante cogumelo.

- sim... (tentando cortar o assunto).

-... não sei se você sabia, mas cogumelo não tem proteína.

- eu não ligo para esse tipo de informação nutricional. eu como o que tô afim. (e lacrei)

Morar com ela é difícil. Principalmente essa parte, que sei que é boba, mas ela me incomoda muito, pelos motivos que citei. Minha psicóloga me fez refletir sobre alguns pontos que acho que ainda vou levar um tempo para absorver:

  1. Muito provavelmente, se a pessoa me copiou, ela na verdade ficou inspirada por algo que eu fiz. Eu sou uma pessoa inspiradora.
  2. Não é porque eu fiz algo primeiro e outra pessoa reproduziu que o que eu fiz não é válido. Isso não me anula e nem me torna inútil naquele grupo, muito pelo contrário. Sou uma referência positiva naquele meio.
  3. As pessoas gostam de mim. Enxergar isso com um olhar de que as pessoas só me querem por ser útil é uma mentira. Eu sou uma pessoa legal de se ter por perto.
Hoje eu quero fechar aquela cicatriz da Cici do ensino médio insegura e cheia de ansiedade. Eu ainda sou um pouco insegura, mas sei que consigo evoluir muito. 

Querida Cici,
Você é bem maneira sabia? É bem legal como você tem facilidade para criar o que quiser, quando bem entende. Amo como você é curiosa e inquieta sobre as coisas que te interessam. Amo como você cuida das pessoas e quer vê-las bem. Você tem uma das almas mais gentis que já conheci. Você não tem medo de lutar pelo que acredita e ama. Você defende o que acredita. Isso é muito difícil, mas você é muito foda por conseguir fazer isso. Falando em ser foda, é muito sensacional ver o quão longe você chegou com só 24 anos de idade. Seus dois únicos empregos da vida foram em marcas muito grandes de calçados. Como designer de produtos. Você se formou e no mesmo ano iniciou uma pós graduação porque não suporta a ideia de ficar sem aprender coisas novas. Você busca deixar o mundo mais colorido e amo como sempre se esforça para colocar sua personalidade em tudo. O que muitas pessoas teriam vergonha de fazer, você faz porque sabe que vai ser divertido. É muito legal como você não tem a menor vergonha na cara de elogiar um estranho na rua, puxar assunto com os caixas de supermercado ou só sorrir para um desconhecido. É incrível como você luta pelo que acredita. Ser vegetariana até hoje é uma vitória muito foda. Ser uma pessoa que busca ser cada dia mais sustentável e menos consumista é muito foda.

 Apesar das dores do passado, se virar sozinha te fez se tornar autodidata em várias coisas. Se você não sabe, você vai atrás de aprender. É muito maneiro como você encara os problemas como desafios. Você reclama, mas faz acontecer. Por isso e muito mais, não importa o que as pessoas façam. Se elas te veem fazendo algo e reproduzem, que bom! Olha o impacto positivo que você trouxe para a vida de alguém! As pessoas gostam de você. Não se deixe pensar que você é descartável. Você é essencial. Se você está onde está hoje, é porque o Universo acredita que você deve e merece estar vivendo isso. Então olhe com os melhores olhos possíveis. Cada dia é único, e apesar das dificuldades, tem sido uma ótima fase da sua vida. Eu acredito muito em você. Acredite em você por nós! Te amo muito!

Obrigada por estar aqui! E se possível, faça terapia!


16 novembro, 2025

Minha psicóloga me recomendou voltar a ter um diário

Que loucura pensar o quanto a vida pode mudar em poucos meses né. 


No dia 10 de agosto de 2025 eu peguei um voo só de ida para o Rio Grande do Sul. Coloquei minha vida em 2 malas e embarquei no meu futuro. Mas obviamente não é muita coisa que cabe em 2 malas. Isso que foi o pior. Deixar as coisas que eu mais amo pra trás. No caso a minha família e as pessoas queridas.

O motivo de tudo isso é que eu amo trabalhar com design de calçados. Eu sou uma mineira que nunca se importou muito com o próprio estado, mas depois que comecei a trabalhar, percebi que fazer viagens pelo meu estado era algo que eu podia bancar sozinha e que me fazia muito feliz. Esse ano mesmo comecei a conhecer algumas cidades que eu nunca havia ido. Eu e meu companheiro temos uma lista de lugares para ir. Porém, infelizmente, meu primeiro e anterior trabalho era um ambiente que estava me dando crises agressivas de ansiedade. Como pode um lugar com pessoas tão incríveis te fazer sentir tanta dor?

Eu não queria deixar de trabalhar com o que amo. Me propus a terminar a faculdade e buscar outra oportunidade em uma empresa menor. Entreguei meu TCC em fevereiro/2025, e colei grau em Design de Produto em maio! Tudo estava indo conforme o plano, exceto que eu não conseguia achar outro emprego, mal mal fazia entrevistas. Trabalhei duro no meu portfólio e currículo, mas ainda assim, nada. Eu estava desesperada. Não aguentava mais o sofrimento e os abusos. Me vendo sofrer tanto, meu parceiro sugeriu: ''Por que você não procura em outros estados?''

Sinceramente... a primeira coisa que pensei foi que isso era absurdo. Será que ele não me ama e quer me mandar pra longe? Mas não. É louco pensar que alguém que te ama só quer te ver bem, né? E eu tenho muita sorte de ser tão amada. Conversamos e cheguei à conclusão que não perderia nada por tentar. O mercado da moda tem estado meio instável. Muitas pessoas estão saindo das marcas. Existe um índice de troca de profissionais muito grande. Então também existem algumas oportunidades. Porém, infelizmente, se você não tem contatos, você não tem nada. Raramente as vagas no setor de design de moda são divulgadas, então todas que eu via, eu me inscrevia. Não importava onde. Só queria sair da minha antiga empresa. 

Após algumas entrevistas e testes mal sucedidos, apareceu minha primeira oportunidade! YAY! No Rio Grande do Sul! yay! Longe de tudo e todos que conheço! yay...

Quando recebi a notícia, eu estava nas férias que lutei tanto para conseguir (queriam me boicotar me fazendo crer que eu não tinha direito a mais férias após quase 2 anos de empresa e 2 férias coletivas tiradas). A ideia era passar minhas 2 semanas viajando com minha família, uma viagem que fazíamos anualmente e eu não participava há 3 anos porque sempre a faculdade ou o trabalho me atrapalhavam a ir. Meu plano era ir para as duas cidades no norte de Minas onde minha família mora, aproveitar muito, descansar bastante e quando voltasse eu queria focar na minha saúde mental. Nada de me desgastar mais por trabalho. Tinha acabado de iniciar minha pós graduação em moda e agora tinha planos de juntar dinheiro e estudar até achar outra oportunidade. Estava no carro com minha família, indo para a segunda cidade, quando o RH da empresa me mandou um PDF informando que queriam me contratar.  

Minha família já sabia que eu estava infeliz e estava buscando outra oportunidade. Sabiam que eu tinha feito teste para empresas fora de Minas Gerais. Acho que na hora que recebi a mensagem, ninguém acreditou. Minha irmã ficou dizendo ''tchaaau'' (é o jeito grosseirinho dela de mostrar que apoia minha ida). Meu pai ignorou um pouco. Minha mãe ficou falando ''Cê num vai né?''. Eu nem pensei e já respondi no automático: ''Eu vou.''

Foi uma decisão muito fácil. Parte pelo desespero, afinal, estava muito difícil encontrar oportunidades. Outra parte de mim iria se arrepender amargamente se eu não fosse. O tempo inteiro meu posicionamento se baseava em ''Se eu for e não gostar, pelo menos eu fui. Pelo menos eu vivi. Se eu não for, vou me arrepender. Não quero ficar triste daqui poucos anos pensando em como teria sido.''

Contei para poucos familiares. Tenho uma família muito grande, então a grande maioria descobriu da minha mudança quando eu já estava aqui. 

O dia da mudança foi bem difícil. Acordei às 4h da manhã. O voo era às 7h. Minha madrinha dormiu lá em casa para se despedir de mim. Meu parceiro, meus pais e minha irmã me levaram ao aeroporto. Era domingo de dia dos pais. E meu mêsversário de namoro. Tudo em um, para deixar tudo ainda mais emotivo. Estou quase chorando escrevendo isso agora. Foi muito doloroso me despedir. Estava com medo, mas com bastante esperança. Acho que o medo me anestesiou um pouco. Tive que correr muito e quase perdi o voo. No fim deu tudo certo. Estava com muito medo na conexão, em São Paulo, mas logo cheguei à Porto Alegre. Fui recepcionada por minha amiga Marines, que trabalhou comigo e se mudou à trabalho 2 meses antes. Sobre isso, é importante mencionar que quando ela falou sobre se mudar, eu senti uma espécie de inveja. Não negativa, do tipo ''eu quero tomar isso de você.'' Foi mais o caso de ''eu quero isso também'' Quando a gente joga pro Universo as coisas realmente vêm, né?!

Ela e o namorado me fizeram companhia por uns minutinhos, até o motorista chegar e me levar para a serra gaúcha, onde eu ficaria hospedada em um hotel por 1 mês até achar algum lugar para ficar. Eu tinha olhado algumas possibilidades quando estava em Belo Horizonte, mas nada era muito concreto. Me dei a chance de conhecer o emprego e a cidade antes. 

Na tarde em que cheguei, estavam fazendo 5 graus! Preciso reiterar aqui que eu detesto frio. Venho de uma cidade seca, o mínimo que já tinha enfrentado eram 9 graus. Quando fazem 23 graus eu já acho apropriado colocar uma cobertinha. Foi chocante para mim que após tomar o delicioso café da manhã no hotel, eu teria que ir para a empresa experenciando a maravilhosa temperatura de DOIS GRAUS. Obviamente eu não tinha roupa suficiente para isso. Não tinha muito espaço também, meu plano era comprar quando chegasse. Sobre a empresa, eu não esperava, mas o pessoal da equipe me recebeu muito bem! Senti bastante carinho do pessoal. Chegar no hotel de tarde me deu o alívio de que talvez eu fosse gostar daqui.

Quando eu vim, eu ainda não tinha um computador. Comprei esse, por onde lhes escrevo, 2 semanas após chegar na cidade e pedi para entregarem no hotel. Ele me ajudou muito, principalmente na hora de procurar lugares para morar. A minha ideia era, desde o início, dividir casa com alguém. Pesquisei bastante e vi que o custo de vida seria bem caro e não queria depender dos meus pais. Além disso, sou uma pessoa extremamente extrovertida. Se além do frio, eu sentisse solidão, eu não iria suportar. Preciso de pessoas para me renovar. Olhei poucos lugares, mas o lugar onde estou hoje é um apartamento que meu companheiro encontrou, onde moro com mais meninas. Descobri ele faltando uma semana para sair do hotel, então tive esse tempo para organizar minhas coisas. Mas obviamente eu deixei para fazer isso na manhã em que iria embora, porque sou muito enrolada.

Agora estou aqui. Há 2 meses tenho buscado me organizar financeiramente, entender meus gastos e minhas necessidades, tudo isso enquanto eu trabalho de segunda à sexta e ainda tento viver enquanto concilio minha pós graduação. Minha rotina tem sido basicamente:

HorárioSegundaTerçaQuarta (terapia)QuintaSextaSábadoDomingo
05h00–05h40Acordar, higiene, café da manhãAcordar, higiene, café da manhãAcordar, higiene, café da manhãAcordar, higiene, café da manhãAcordar, higiene, café da manhãExercício leve + caféCaminhada/atividade leve
05h40–06h20Exercício ou leituraExercício ou leituraExercício ou leituraExercício ou leituraExercício ou leituraOrganização rápida da casaCafé tranquilo
06h30–07h30Deslocamento p/ trabalhoDeslocamentoDeslocamentoDeslocamentoDeslocamentoCompras da semana (mercado/feira)Organização da semana
07h30–17h30TrabalhoTrabalhoTrabalhoTrabalhoTrabalhoLazer / compromissosLazer / descanso
18h30–19h00Chegada em casa + banhoChegada em casa + banhoChegada em casa + banhoChegada em casa + banhoChegada em casa + banhoLazer ou descansoEstudo / leitura
19h00–19h40JantarJantar-JantarJantarLazer ou jantar foraJantar
19h40–20h30Pós-graduaçãoPós-graduaçãoPós-graduaçãoPós-graduaçãoPós-graduaçãoLazer / amigosEstudo ou lazer
20h30–21h30Lazer (série, música, desenho)LazerYoga (18h30-20h)
Terapia (20h–21h)
LazerSaída, lazer ou descansoLazer leve (filme, música)
21h30–22h00Organização do dia seguinte, relaxarOrganizaçãoOrganização pós-terapiaOrganizaçãoOrganizaçãoPreparar semanaPreparar semana
22h00–05h00SonoSonoSonoSonoSonoSonoSono

Isso no mundo ideal né. Na realidade não é sempre assim. Algumas coisas legais que eu tenho feito são: 
  • Passear aos sábados de manhã;
  • Comprar em feiras de orgânicos;
  • Yoga semanalmente;
  • Comprei um kit de cristais;
  • Tenho tentado aprender sobre tarot;
  • Estudar para a pós-graduação e estudar modelagem 3D no blender;
  • Pintei as mechas do meu cabelo de laranja neon;
  • Ir em feiras de artesanato e outros eventos artísticos da cidade;
  • Comprei uma cumbuca rosa e como todas as refeições nela.
  • Fui na minha primeira parada LGBTQIAPN+;
  • Tenho tentado voltar a desenhar;
  • Decorei meu quarto como eu sempre quis!
Infelizmente, nem tudo são flores. O trabalho é legal, mas é um trabalho, então tem seus defeitos. Assim como as pessoas. No atual momento, meus maiores conflitos se dão no apartamento, com uma das colegas com quem divido. Ela é 11 anos mais velha que eu, trabalhamos na mesma empresa, mas vejo que ela tem prioridades que ultrapassam um pouco os limites. Ela costuma ter atitudes bem rudes quando se trata de benefícios próprios. Ela estava hospedada no hotel comigo, eu trouxe ela para ver o apartamento comigo, então ela resolveu ficar também. No início eu gostei, afinal, não estaria sozinha. Ela é uma pessoa legal, mas não para morar junto. Ela obviamente gostaria de estar em outro momento da vida, então é natural que não se sinta confortável morando com mais pessoas. Porém parece que ela faz muita questão de mostrar esse desconforto para todos, o que acaba a tornando uma chata. Todos os fins de semana temos algum conflito estúpido por falta de comunicação. Quando finalmente, após tantos traumas por essa questão, eu pensei que as coisas estivessem melhores, ela me vem definindo coisas na cabeça dela e se frustrando quando eu não as faço como ela esperava sendo que eu nem sabia. Semana passada nós conversamos mas ainda não estamos bem. É como dizem, morar junto com outra pessoa é, de certa forma, um casamento. E nesse caso, um casamento com alguém que conheço quase nada.

Isso tudo me faz refletir sobre as pessoas que tenho ao meu redor. Tenho pessoas incríveis que me apoiam, mas acho que nenhuma delas posso chamar de amiga. No fim, após 3 meses é triste notar que ainda me sinto sozinha, que era o meu maior medo. Costumo tentar ser otimista, então isso é algo no que preciso trabalhar. O que está ao meu alcance eu preciso cuidar. E eu vou. Quero me sentir confortável morando nessa cidade. Quero me sentir bem morando nesse apartamento. Quero me sentir tranquila no trabalho. Tenho vivido pensando no dia 20 de dezembro, quando voltarei para minha casa e para tudo que conheço e amo. Ainda não consigo ver esse lugar como minha casa. Gosto daqui, mas tenho preenchido o vazio com coisas materiais, e sei bem que isso não me ajuda em nada. 

Por conta de tudo isso, voltamos ao título do post. Tenho tanta sorte em ter essa vida. Essa oportunidade é maravilhosa para mim, e modéstia à parte, tenho me saído muito bem tentando ser adulta. Vou melhorar ainda mais, tenho certeza disso. Sou uma pessoa comunicativa, confiante, curiosa sobre o mundo, inquieta, inspiradora. Isso é só um fragmento do começo da vida incrível que tenho construído. Meu cuidado deve ser não levar para mim as críticas e comentários de terceiros. Cada um tem a sua percepção individual das coisas, e a minha nem sempre tem a ver com a dos outros. Mas é tão fácil se deixar levar pela percepção alheia...

Fico feliz de estar de volta! Nos revemos logo menos.

Obrigada por estar aqui! 

03 maio, 2022

estou mudando, mas não sei se gosto disso | 021

Fique aqui com um fato: nós estamos mudando a cada milésimo de segundo. Heráclito, o filósofo pré-socrático já dizia: 
Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou. Assim, tudo é regido pela dialética, a tensão e o revezamento dos opostos. Portanto, o real é sempre fruto da mudança, ou seja, do combate entre os contrários”

Como o rio, as águas caminham e me vejo deslizando com as outras gotas. O que quero dizer é que com 7 dias de faculdade presencial já vejo pelas minhas atitudes, pelas minhas falas, mas principalmente pela forma como venho pensando que o fato de estar com pessoas que não se importam comigo e que não me importam durante tanto tempo me faz agir de forma indiferente e egoísta.

Não quero dizer que não é importante ser egoísta, porque por incrível que pareça, às vezes é sim, só acho que estou caminhando para um rumo onde talvez eu me torne uma pessoa desprezível. 

Deixa eu te contextualizar: naturalmente eu tenho trabalhado nos últimos anos para ser mais gentil e simpática porque eu simplesmente gosto de fazer amizades. O efeito foi tanto que consegui mudar meu MBTI de INFP para ENFP (particularmente, o meu favorito - é o melhor Victor!). Tivemos a pandemia, o que arregaçou em diversos níveis minha auto estima que, até então, dependia e variava com o quanto de contato social eu tinha. Nos últimos meses, vim exercitando em mim a valorização da minha própria companhia, mas com a faculdade talvez eu esteja um tanto introspectiva demais.

Achei que esse sentimento era em razão de adaptação por conta do ambiente e da rotina novos, mas hoje eu me vi em momentos em que a Cecília de 2 anos atrás faria de tudo para conversar e enturmar, mas eu simplesmente travei e, pior, nem me importei. Em casa eu fiquei um pouco decepcionada e tal mas nada arrebatador, como acontece comumente. 

Estive falando com uns amigues sobre como eu sinto que não tenho amizades na universidade. Não tive muito tempo para absorver esse sentimento, mas sei que não é muito agradável. Eu tenho pessoas com quem eu falo assuntos banais e algumas pessoas me cumprimentam, mas nunca passa disso. Reparei hoje que eu tenho agido com elas de uma forma um tanto apática, na qual eu só respondo mensagens que são relevantes nos grupos. Quando alguém conta algo sobre sua vida eu tento ser o mais simpática possível mas parece que todo mundo só quer falar sobre suas complicações e problemas e ninguém se importou em perguntar sobre mim ou quando eu falo algo sobre mim... assim fica difícil de fazer amizade né...

Enfim, ainda não sei como resolver isso. Queria tentar conversar com alguém diferente da minha sala que ainda tem uma visão neutra de mim (porque tem um grupo de umas 7 pessoas que realmente me detesta a ponto de olhar feio para mim quando eu passo - longa história, um dia eu conto). 

Me deseje sorte! Acho que com o tempo eu vou precisar mais ainda! 



Obrigada por estar aqui! <3

P.S.: estou com saudade de ter amigues de verdade </3

02 outubro, 2021

só mais um grão de areia | 020

 A verdade é que eu sou muito irritante. Eu neguei durante anos, mas chegou num ponto que sei que sou e sei que incomodo as pessoas. Fico triste por isso porque sei que o meu maior motivo de insegurança é imaginar o que as pessoas podem pensar de ruim sobre mim, principalmente se forem pessoas que eu gosto. 

Se tem uma coisa que é inegável é que eu nunca estive tão confortável com minha aparência e personalidade. Ainda assim, sei que isso não significa que todos vão gostar de mim da mesma forma que eu gosto de mim. Eu só preciso aprender e entender que o que importa mesmo é se eu gosto de mim ou não. Fora que é impossível agradar todo mundo sempre. A pessoa que mais te adora no mundo com certeza vai se irritar com você. 

26 março, 2021

por fora pareço mal mas por dentro tá igual do lado de fora | 019

Esse post foi um péssimo recomeço. Isso é bom! Se fosse planejado não seria eu! :)
Alguém aqui ainda sequer se lembra que eu existo? Bom, se sim, fico feliz :) Se não, tudo bem! 
Não é para isso que eu escrevo. 

Na verdade, não consigo entender porquê eu parei de escrever aqui. Sempre me fez tão bem. 
Bom, no momento tá tudo um completo caos na minha cabeça. Fim do semestre tá até mais leve agora que só faltam 2 trabalhos pra acabar tudo, isso é bom. Porém, mais uma vez sinto que esse micróbio dos infernos tá destruindo minhas oportunidades na faculdade.

O que acontece: [tem tanta coisa acontecendo que nem consigo expressar aqui e era para ser um post rápido AAAAAAAA] Acho que o que mais pesa é o fato de eu me sentir sozinha. 

Vou mandar a real aqui: não sinto que tenho nenhum amigo na faculdade. Tem três pessoas com quem eu converso, uma mais que as outras duas, mas ainda assim me sinto sozinha na maior parte do tempo. Tenho muitos trabalhos para fazer. Muitas, tipo MUITAS MESMO, horas para cumprir para a faculdade e não tenho tempo para fazer o que eu gosto. Mas nada dói mais do que saber que não tenho ninguém no fim do dia :(

Sinto muita falta dos meus amigos (que também estão correndo com seus respectivos cursos das suas respectivas faculdades) e magoa perceber que depois de dois anos sabendo que tenho problemas quanto aproveitar minha própria companhia eu ainda me sinto mal por ter que passar por isso. 

Dito isso, ainda me sinto mal, porém, um pouco menos que antes. Fico feliz por estar de volta! Provavelmente estarei por aqui com frequência já que me lembrei o quanto amo escrever.


Obrigada por estar aqui! 

12 junho, 2020

mente superlotada | 018

Hoje eu assisti o episódio 6 de The Midnight Gospel, Mente Superlotada, e sinto que minha mente está realmente superlotada [como sugere o título]. Nesse episódio é bastante retratada a importância do silêncio interior e como a meditação ajuda a nos conectar com nós mesmos e nos faz ampliar o espaço dentro de nós.

Tudo isso me fez pensar sobre o fato de eu agir de forma tão impulsiva quase todo tempo, tipo, será que na verdade as ações impulsivas que eu cometo são, na verdade, reflexos da minha mente superlotada precisando descarregar em algo e eu descarrego na primeira coisa que se passa pela minha cabeça? 

Cortar, descolorir e pintar meu cabelo sozinha e do nada, furar minhas orelhas sozinha, atirar objetos de forma [totalmente] irracional, comer ''só pra passar o tempo'', ter o hábito de sempre corrigir as pessoas e querer estar sempre certa, ou até criar e iniciar metas mas não ter motivação ou vontade de concluí-las. Será que tudo isso é reflexo de uma mente sobrecarregada de informações, ideias, pensamentos e sentimentos ainda não decifrados por mim? 

Acho que realmente preciso me conectar com o poder da pausa. Uma pausa interior.

Silencie-se. 
Acalme-se. 
Sinta o espaço, tanto à sua volta quanto aquele dentro de si.


Obrigada por estar aqui ♥

16 março, 2020

eu sinto como se você sugasse minhas energias | 017

Olá! Eu só quero começar dizendo que sei do caos que tá o mundo lá fora. Sei que as pessoas estão desesperadas e coisas ruins estão acontecendo. Mas quero que você saiba que pode acessar aqui quando quiser fugir dessa realidade. Mais do que nunca, faremos do Sopa um sol em meio a tantas nuvens escuras. Qualquer um é bem-vinde!


02 março, 2020

já posso dizer que sou aluna de design? | 016


Estou escrevendo esse post enquanto admiro a minha linda grade horária do meu primeiro período na faculdade!!!!!! As 3 horas na fila da matrícula valeram à pena.

Estranhei quando li período e não semestre, mas eu vou aprender a chamar meus seis meses assim. Estou sentindo um misto de alívio e frio na barriga quando penso que estou oficialmente matriculada no curso de design de produto, na faculdade que eu sempre quis, no horário da manhã

*simulação do meu bujo*
Na verdade nem sei muito bem o que escrever, mas como esse blog acabou se tornando meu diário público (e eu tenho muita sorte de ter somente pessoas maravilhosas o lendo) resolvi compartilhar as matérias que eu vou ter:

  • Processo de Criação
  • Expressão Gráfica - Oficina de Expressão
  • História do Design - séc. XIX ao XX
  • Design e Metodologia - Metodologia Científica
  • Expressão Gráfica - Desenho Técnico
  • Design e Percepção - Fundamentos
  • Fundamentos Humanísticos - Filosofia
As aulas são de segunda à sexta, de 7h50 às 11h20! Eu fiquei muito empolgada com as matérias e achei o horário bem bom! Estou com saudade de estudar e ver todos esses conteúdos que parecem ser tão interessantes só me deixou mais ansiosa! Seja o que o Universo quiser!



24 janeiro, 2020

tô com fome, acho que vou comer chocolate | 015

A semana passada foi uma das mais rápidas da minha vida. Uma vez por ano, durante 7 dias, minha tia Sandra reúne em sua casa todas as crianças e jovens da família para passarmos um tempo juntos. Esse evento é muito legal e consegue se superar cada vez mais. Infelizmente, uma das coisas mais tristes é o fato de os dias passarem extremamente rápido. Acordamos tarde, almoçamos tarde e dormimos de madrugada. E nessa rotina assistimos filmes, jogamos jogos, zoamos memes e nos divertimos uns com os outros!

Entretanto, dessa vez tive que dar fim à essa Maratona de Férias mais cedo por conta do SiSU. É a minha primeira vez tentando entrar na faculdade e queria focar essa semana para fazer bom uso da minha internet e analisar o site de tempos em tempos durante o dia. Queria eu que os dias passassem tão rápido quanto na casa da tia Sandra. A minha ansiedade está à mil e acho que se o site do SiSU fosse um prédio eu estaria acampada na porta dele, tentando entrar a cada hora.

É muito estressante toda a expectativa para saber se você vai ou não conseguir ingressar na faculdade que sempre quis, com o curso que sempre quis. Lamentavelmente, não posso afirmar isso com certeza, porém meu foco é realmente - o tão sonhado por mim, mas desconhecido pelo resto da nação - design de produto! [tanto que resolvi colocar como primeira opção o curso matutino e como segunda opção sua versão noturna].

Minha nota não foi das mais altas, por isso faz uma dança infinita, como se estivesse no elevador do Edifício SiSU, subindo e descendo sem parar.

Ok, são quase 1h da manhã e eu tô com fome, acho que vou comer um chocolate.



Obrigada por estar aqui! 💛

25 dezembro, 2019

metinhassss | 014


Chegando os últimos dias do ano e temos esse ar nostálgico, pensando se fizemos tudo que tivemos vontade, repensamos nossas atitudes e criamos resoluções para possivelmente tornar o ano seguinte ainda melhor. Eu, pelo menos, adoro criar listas de tarefas para concluir ao longo do decorrer dos 12 meses que vem aí.

Uma delas é algo que venho adiando tem uns bons 4 anos. Tenho procrastinado essa ideia por medo, sempre inventando pequenas desculpas para enrolar mais um pouco para começar logo o meu canal no youtube. Mas já chega, é hora de começar logo! Não que agora eu não tenha preocupações sobre isso, muito pelo contrário, tenho medo de me expressar mal e passar mensagens erradas, tenho medo de não conseguir responder todo mundo, tenho medo de reagir mal à avaliação da pessoas...

Apesar de todas essas inseguranças, a minha vontade de criar conteúdo na internet existe há tanto tempo que não aguento mais esperar. Ano passado aprendi a editar vídeos, e mesmo que eu não faça isso com perfeição, acho que posso evoluir aos poucos ao invés de esperar ficar impecável nisso para começar depois.

Basicamente quero que o canal fale sobre criatividade, arte e inspirações de todo tipo, talvez até rolem study vlogs. Planejei algumas ideias mas basicamente a estética e o conteúdo são inspirados pelos canais: Femingos, Nuria Ma, Jusuf e Nae. Espero que fique legal porque eu ainda estou aprendendo a gravar sozinha.

O motivo pelo qual eu decidi criá-lo só agora é porque esse ano foi muito corrido por ser meu ano de enem e último ano na escola. Agora tenho me sentido meio sem rumo já que só fiz o enem e acho que não me dei muito bem. Os resultados só saem no dia 17 de janeiro de 2020 e o sisu acontece na semana seguinte. Se eu passar quero fazer design, mas caso contrário, pretendo fazer cursinho e tentar o enem novamente. Ter um hobby em qualquer uma das duas situações seria legal, além do blog, afinal, escrever é terapêutico mas não faço isso o tempo todo. Com o youtube acho que tenho uma desculpa para tentar coisas novas. Acho que vou postar meu primeiro vídeo logo no início do ano que vem.

Mudando de assunto, ando viciada em uma banda chamada AJR, composta por 3 irmãos que tem essas iniciais no nome do grupo (Adam, Jack e Ryan). Todos os álbuns e músicas são lindas. Abaixo deixei uma das minha favoritas para te lembrar que mesmo que você tenha trabalhado ou estudado muito esse ano, ''sem tempo'' para se divertir, tente aproveitar as oportunidades que o 20 20 te oferecer.


Para inspirar para o 20 20.


Aproveite esse novo ano para criar um novo você, observando o que você faz que não é legal na sua opinião e aderindo hábitos melhores nos seus dias que vem aí. Talvez eu faça um vídeo sobre isso. Não sei.

Por enquanto, caso queira me apoiar, você pode se inscrever aqui: Cilis.
Espero que você tenha um ótimo natal! :)



Obrigada por estar aqui! 💛

17 dezembro, 2019

bambolês | 013

O ano foi passando dia após dia e quando menos espero já estamos no fim dele! É estranho pensar que há exatamente um ano atrás eu estava ansiosa, torcendo e estudando muito para ir para o terceirão e olha só onde eu vim parar... Estou formada e, de certa forma, desempregada! Ler os posts de dezembro de 2018 me fizeram ter certeza do quanto eu mudei e cresci em todos os sentidos. Estou orgulhosa de quem sou agora.

2019 foi insano! Tive muitas oportunidades de fazer coisas legais (e quando elas não existiam, eu as criava), claro, que estivessem dentro dos meus limites naquele determinado momento, e agora voltando na lista de coisas para fazer em 2019 fico feliz em dizer que posso riscar o primeiro e principal item: 
  1. SAIR DA ZONA DE CONFORTO
Na semana da minha festa de formatura fiquei maratonando vários vídeos de garotas se preparando e contando sobre o ano do terceirão e a palavra "ciclo" se repetiu na grande maioria deles. Para falar a verdade esse termo ainda me é meio estranho mas eu tenho suposto que é como uma fase, na qual grande maioria das pessoas passa, só que com formato circular. Isso me lembrou uma brincadeira muito comum nas aulas de educação física do fundamental, na qual o professor colocava vários bambolês no chão e tínhamos que pular de um para o outro. Quem diria que ele estava nos ensinando sobre a vida?

Nesse mês de dezembro tive a tão esperada festa de formatura [06.12] e a colação de grau [11.12]. A festa foi realmente um marco na minha vida. Nunca me diverti tanto com meus amigos e família ao mesmo tempo. Para começar, nós todos alugamos uma van que nos levou e buscou. Meu vestido estava lindo, era inteiro prateado e cheio de glitter. Na festa assisti a vários shows, com direito a ficar na grade e ver de perto o Yuri Martins (uô ô tchu tchu ru tchu) em pessoa e até tocar na mão do Marcão, da banda do Marcão. Ter esse momento com as pessoas que mais me apoiaram nesse ano foi mágico.

Na semana passada tive a minha colação e uau. Foi um evento grandioso. No dia eu estava meio mal e chorosa mas tudo se iluminou quando encontrei meus amigos e colegas de sala. Soou como se fosse a última vez que viria todos ao mesmo tempo. Espero que eu esteja errada, mas no fundo eu sei que não. Foi realmente muito bom revê-los e pude lembrar o quanto crescemos ao longo desse duro, porém muito divertido, 2019. O Tio Dan, nosso paraninfo, fez um discurso emocionante e o Clayton, que foi nosso orador, descreveu a sala em um texto muito lindo. Foi muito legal poder gritar e comemorar quando o nome dos meus amigos era dito para todo o auditório por uma moça que parecia locutora de rádio. Usar beca foi uma experiência interessante, ainda mais sabendo que eu passei de ano.


É engraçado pensar que tudo isso chegou ao fim. Um ano tão proveitoso que olhando para trás agora eu não diria que passou rápido. Ele passou na velocidade normal. O que fez a diferença foi o fato de eu saber dizer ''sim'' para as oportunidades que ele me ofereceu.

Apesar de eu estar me sentindo extremamente perdida agora, sei que me encontrei na minha turma. Minha segunda família, minha 302, que fez desse bambolê o melhor de todos. :) Estou ansiosa para descobrir qual será o novo bambolê que o Universo escolheu para mim.


Obrigada por estar aqui! 💛

20 outubro, 2019

inventei de me apaixonar e tudo desmoronou | 012

Esse post está gigante, é o maior que eu já escrevi, mas está bem divertido. Espero que você se divirta lendo tanto quanto eu me diverti escrevendo.

Deixa eu começar do começo...

Eu tenho pensado bastante na forma como eu lido com meus relacionamentos nos últimos tempos. Digo relacionamentos no plural porque acho que me dou mal em todos eles: familiares, amizades e até comigo mesma. Por pensar nisso, nunca me permiti tentar algo romântico - até agora.

Desde que descobri o mundo lgbtq+ sempre tive vontade de me encaixar, mas nunca me identifiquei com nenhuma sexualidade dessa sopa de letrinhas. Observando minhas inexperiências anteriores e pesquisando bastante, em 2016 descobri a assexualidade. Na época, esse termo não tinha quase nenhuma visibilidade, mas sentia orgulho de me sentir pertencente à algum grupo, mesmo que pequeno. Me divertia explicando para meus amigos o que é, e sentia raiva pela comunidade quando os chamavam de ''assexuados''. Eu falava berrava:
- Assexuado é esponja, tá? O certo é assexuAL!

Acontece que até o início desse ano eu estava planejando ficar sossegada em relação à relacionamentos amorosos. Acho que no fundo eu já sabia que, por mais interessante que fosse dizer que eu era assexual, eu não era de fato. Porém eu tenho bastante carinho pela comunidade assexual. Me sensibilizo muito com os desafios e contratempos que essa comunidade passa e os defendo como se fossem minhas plantinhas. 

Ok, eu tinha voltado para a estaca zero. Eu acho muito louco como o destino coloca no nosso caminho as coisas certas nas horas certas. Navegando pelo youtube, me aparece uma entrevista da Anavitória em que elas falam sobre sua sexualidade. Elas deixam muito claro que é muito legal você se identificar com uma comunidade, mas você não precisa sabe? A partir de então tenho levado isso pra minha vida. Pelo menos na minha bolha social, meus amigos tem vários tipos de sexualidade, mas quando me perguntam com qual me identifico eu só digo: ''não sei :)''.

Em setembro, tinha acabado de chegar da escola numa quinta-feira. Devia ser quase 20h e minha amiga mandou num grupo que tinha um amigo que tava solteiro e perguntou quem queria falar com ele. Deixa eu te dar um norte rapidinho: por mais que eu seja muito boa em fazer amizades, sou péssima em mantê-las porque tenho dificuldade de falar sobre meus sentimentos e gostos sem me sentir mal. Escrever é tão mais fácil. Achei que conversar com o tal menino seria um bom treino, então eu aceitei a proposta. Ele me chamou no insta, depois migramos pro whatsapp e quando eu percebi já eram quase 2h da manhã! 

Fiquei meio assustada porque temos muitas (muitas mesmo) coisas em comum e isso era muito estranho, porque ele é bem legal... epa. O que é isso? Para coração, você nem conhece esse menino. E se ao vivo ele for diferente? Sossega. 

Conversamos no dia seguinte sobre o episódio de Black Mirror que ele me indicou, compartilhamos nossos medos estranhos, criamos teorias e ele me chamou pra sair no sábado. No começo eu estava super desencanada então falei que não na cara de pau. Achei que ele não ia mais falar comigo mas acabamos conversando bastante durante o fim de semana e eu achei que seria interessante sair com ele no sábado seguinte. Na segunda, terça e quarta da mesma semana que sairíamos ficamos muito empolgados pra conhecer um ao outro e marcamos para sexta, já que era o dia em que ambos podiam sair. Eu estava encarando isso como uma brincadeira. Eu sempre fui a amiga que ri e acha divertido aconselhar os amigos a sair, mas ser a amiga que ia sair foi, na verdade, bem legal. Seria meu primeiro encontro. 

A mesma amiga que me ''apresentou'' o menino sempre perguntava como estavam as coisas entre nós, tanto pra mim quanto pra ele. Ele é o melhor amigo do namorado dela, então ela se sentia na necessidade de garantir que nenhum dos dois se machucassem, o que eu achei muito gentil da parte dela. Como ela conhecia ele, ela sempre me falava os defeitos dele, para que eu já estivesse preparada para não me decepcionar tanto. Imagino se ela fez o mesmo com ele e o que ela deve ter dito sobre mim. Apesar de ela fazer isso com a melhor das intenções, na quinta-feira, na véspera do dia em que sairíamos, esses comentários me deixaram bem ansiosa e nervosa. Sentir isso sempre é muito ruim pra mim, mas a parte boa é poder ver como tenho sorte de ter pessoas maravilhosas à minha volta. Meus amigos me acalmaram e me ajudaram como podiam. Chegando em casa tentei meditar para clarear a mente e me acalmar. E não é que deu certo? 

No dia do rolê, ou, como diriam meus livros de romance: dia do meu primeiro encontro, eu estava relaxada e muito confiante. Admito que fiquei bem orgulhosa dessa versão da Cecília. Meus amigos estavam mais empolgados que eu, principalmente a que me apresentou ele, o que foi engraçado. A manhã passou rápido e combinamos de sair durante a tarde, para tomar açaí. Me sentir a personagem principal de uma história de amor à primeira vista foi bem divertido. Tive direito à mandar foto da roupa escolhida para meus amigos conselheiros e ainda pude sentir um friozinho na barriga antes de sair. Pedir meu pai para me levar me deixou nervosa porque tinha medo de ele não gostar dessa história, mas para a minha surpresa ele disse sim logo de cara. 

Marcamos de nos encontrar lá às 17h mas esse era o horário em que eu estava saindo de casa. O local era bem longe de casa e como era horário de pico acabei chegando 40 minutos atrasada. Perto da entrada do lugar eu parei. ''Onde é que eu estou com a minha cabeça? O que eu estava pensado?'' - tentei dar meia volta e recuar, mas meu pai me empurrou de volta. Entrei. 

Não foi difícil achá-lo. Ele estava numa mesinha bem perto da entrada e se parecia com as fotos. Aliás... sobre isso... Meus amigos estavam divididos entre ''ele é bem bonito'' e ''ele é ok''. Confesso que eu estava no time que achava ele ok. Cumprimentei ele e me sentei. Foi estranho porque ele ficava me encarando, provavelmente eu fiz o mesmo. Não conseguia pensar em nada pra dizer. Então ele disse: ''Como foi seu dia?''

Não lembro de quase nada do que falamos, mas pelo visto deve ter sido muito bom porque quando olhamos o relógio caro e pesado que ele usava já eram mais de 21h!!!! Nesse tempo lembro que ele foi no banheiro 3 vezes. Na terceira vez em que ele saiu eu fiquei pensando se não devia acontecer algo. Logo esse pensamento foi substituído pelo dos meus amigos falando que eu não precisava beijar ele se não quisesse, o que é a mais pura verdade. 
Ele voltou. Não sei como começou, mas sei que estávamos competindo qual dos dois faz mais coisas estranhas com as mãos enquanto conversávamos. Sabe quando você está falando algo mas sua cabeça está pensando outra coisa totalmente diferente? Eu estava assim. E minha cabeça estava: ''Ele é bem legal, né? Acho que ele gostou de mim também. Não é nada demais, mas é demais! Pera, pro que ele tá olhando? Eita, acho que... acho que é A MINHA BOCA! Ai calma, você não precisa beijar ele se não quiser. Beleza. Mas eu quero? Ai cara, acho que eu quero.''

Eu estava tão nervosa que não parava de falar. Daí ele foi chegando perto e eu ia também, mas dava umas recuadas. Foi estranho e pareceu que durou uma eternidade. Então... PÁ. 

Não vou mentir, foi muito estranho. Não foi meu primeiro beijo mas pareceu que era o dele, mesmo eu sabendo que não era. Ele enfiou a língua na minha boca direto e eu assustei muito. Quando esse desastre acabou a gente se olhou. Eu não sou boa em disfarçar meus sentimentos, e ele deve ter notado que eu tava desconfortável e ele me solta um: ''isso é tipo comida, tem que provar 3 ou 4 vezes pra saber se gosta''. Eu que não sou boba nem nada, provei logo 4 vezes.

Maravilha. Agora já eram 22h. Fiquei meio assustada e falei que tinha que ligar para meu pai. Pagamos o açaí e fomos pra porta. Nesse processo ele estava com uma cara muito estranha. Ele morava lá perto e voltaria pra casa a pé e sozinho. Perguntou se eu queria que ele ficasse esperando meu pai comigo e eu estava tão nervosa que quando fiquei ciente dos meus atos já tinha soltado: ''Não precisa, meu pai disse que não quer te conhecer ainda''. QUE QUE EU TENHO NA CABEÇA? AR? Ele pareceu assustado mas reagiu bem. Despediu e foi embora. 

Eu comecei a rir de desespero mas tentei ficar de boa. Eu tava lá pra conhecer ele e até que tinha sido bem legal. Foi só meu pai chegar que eu já fiquei emburrada. Fiquei quieta o caminho inteiro, tentando não ser rude. ''Droga Cecília, por que diabos você não pensa antes de falar as coisas, ein?''

Fui dormir sem dar satisfação para as dez mensagens de pessoas perguntando como tinha sido. Jurava que ele não ia querer falar comigo nunca mais. Nem falei direito com meus pais. Acordei meio estressada e incomodada sem vontade de sair da cama de vergonha. Acabei me obrigando a mandar mensagem pra ele pedindo desculpas. Era o fim. Aproveitei e respondi meus amigos com um texto grande e detalhado que copiei e colei para todos, para evitar perguntas. Eles opinaram o que fez com que esse grande problema dentro da minha cabeça diminuísse bastante. 

Sábados são como os outros dias para mim. Dia de simulado do enem. Esse era de humanas, linguagens e redação. Fiquei de cara fechada a manhã toda, ainda constrangida pelo que falei e pela minha expressão incomodada. Chegando na escola, vários amigos que eu não tinha contado o desastre me perguntaram como foi e eu comecei a contar. As reações de orgulho e riso me deixaram muito mais confortável com a situação e eu até fiz minha prova mais animada.

Depois do simulado, eu e alguns amigos combinamos de sair para ir ao museu e quando fui pedir para meus pais lembrei que não tinha dado a menor satisfação para eles de como foi. Eles deixaram, e enquanto eu me aprontava contei do desastre pra eles, que acharam bem engraçado. Até eu ri. Ao mesmo tempo em que isso acontecia, ele me mandou mensagem perguntando como tinha sido a prova. Achei que ele tinha feito isso por educação mas quando menos espero, ele me chama para sair novamente. Senti um misto de alivio e alegria. Mas claro, eu só estava conhecendo ele, não havia nada para sentir ainda, além de vergonha e empoderamento.

Na semana seguinte conversamos muito também. E na outra. Não saímos porque eu estava morrendo de vergonha e estava presa na zona de conforto de novo. Mas sempre conversávamos desde o fim da tarde até a madrugada. Trocávamos mensagens durante as aulas também. Nunca fiquei tão apegada ao meu telefone. Minha amiga já havia me alertado que ele tinha saído de um relacionamento sério, longo e complicado recentemente, então ele ainda estava meio instável. Tomei cuidado pra ser o mais compreensiva possível. 

Em um desses dias, ele estava muito feliz porque sua ex havia mandado mensagens tentando voltar com ele de forma desesperada. Ele a rejeitou  de forma muito madura pela primeira vez e ele ficou imensamente feliz com isso. Ele me mandou print de tudo e falou que estava bebendo para comemorar. Eu mesma fiquei orgulhosa dele. Ficamos conversando muito nesse dia e ele me contou que tem medo de nunca encontrar alguém que o dê valor. Ele mandava áudios, e eu digitava. Ele estava muito bêbado quando começamos a falar de coleções e músicas. Temos muito em comum mesmo. Voltamos ao assunto relacionamentos e ele falou como eu era especial e DO NADA ele me solta um ''te amo''. Meu coração faltou saltar do meu peito. Sabia que ele não estava bem então não tive nenhum tipo de reação extrema. Estava feliz por ele ter conseguido fazer algo que tinha medo, mas só. Mas confesso que fui dormir feliz nesse dia.

Alguns amigos estão planejando uma festa de halloween que vai ser demais e me chamaram pra cuidar da decoração. Claro que eu aceitei. Mesmo tendo visto o menino só uma vez, achei que seria legal se ele fosse na festa. Minhas amigas acharam que não teria problema e o colocaram no grupo, que confirmou presença até antes de mim. :) Nesse dia ele me elogiou, nem lembro sobre o quê, só sei que eu estava na aula e que ele pareceu tão sincero que dessa vez decidi deixar meu coração livre. ''Pode bater coraçãozinho, acho que você sabe o que está fazendo''. Olhei a foto dele mais uma vez e de repente ele ficou super bonito.

Durante a semana ainda conversamos e ele me chamou pra sair no sábado. Acontece que eu tinha combinado com alguns amigos de ajudá-los a escolher itens de decoração para a festa que estamos planejando, então tive que recusar. Meu plano era acabar a prova, que dessa vez seria de manhã, almoçar com meus amigos, irmos para o supermercado e depois para a loja de festas. Logo depois do simulado eu falei que estava saindo e ele falou que ia para um festival de músicas eletrônicas que teria na cidade. Ele disse que queria que fosse com ele. Eu gostaria de ir, mas achei melhor colocar meus amigos em primeiro lugar.

Durante tudo o que fiz nesse dia, tentava mandar fotos e vídeos para ele, já que era isso que ele estava fazendo comigo. Foi um dia bem legal para os dois, eu acho. O último desses.

No dia seguinte, minha amiga me mandou mensagem preocupada perguntando quantos stories dele estavam aparecendo para mim, se eram 3 ou 4. Eu chequei e vi que eram 3. Ela ficou preocupada e disse que para ela também só eram mostrados 3, mas que na verdade eram 4. O namorado dela me mandou um print do tal storie em que ele estava ficando com outra menina. Fiquei meio sem reação, mas acho que fiquei um pouquinho incomodada. 

Tipo, a gente tinha saído um vez, por mais que estivéssemos conversando coisas muito profundas e importantes, pelo menos para mim, isso não impedia nenhum dos dois de falar e ficar com outras pessoas. Por isso fiquei de boa. A minha amiga descordou totalmente desse meu pensamento e insistiu para que eu criasse uma situação hipotética, em que um cara quis ficar comigo e eu recusei porque não me imaginava ficando com outra pessoa já que gostava dele e peguntei para ele se ele faria o mesmo. Eu já sabia a resposta, mas resolvi aceitar essa loucura porque queria ver se ele era sincero comigo. Adivinha só: ele falou: ''cê podia ter ficado com o cara po''. E sobre ele ficar com outra pessoa, ele disse que NÃO FICARIA. O que ele estava tentando provar? Não faço ideia, só sei que eu detesto mentiras, cara. Ele estava brincando com meus sentimentos? Ou pior, me usando como diversão? Fiquei bem magoada.

Ignorei ele o dia inteiro. Na segunda-feira, tínhamos dia D com o tema ''Criança'' e eu não estava nem um pouco feliz. Passei o dia chateada. Precisava descontar minha raiva e tristeza em algo. Como temos DJ no dia D, coloquei minha jardineira, fiz maria-chiquinhas e no recreio dancei funk como nunca na vida. Rebolei minha raba com tanta vontade que as pessoas até me estranharam. Nem estava ligando pros comentários, eu estava me divertindo. Os amigos que sabiam do que aconteceu me incentivaram e embarcaram nessa comigo. Foi um dos melhores Dias D. 

De tarde, o namorado da minha amiga, aquele que é o melhor amigo do menino bobão, veio conversar comigo por mensagens. Ele tentou entender o meu lado e me aconselhou. Inclusive falou algo que acabou com o pouquinho de esperança que ainda me restava. Me avisou que ele foi no show porque a menina convidou ele e que eles continuavam conversando, então ele achava melhor eu me afastar dele pra não me machucar mais. Eles são melhores amigos, um sabe o que o outro quer e, pelo visto, não era eu.

Deixei ele no vácuo por um dia e meio e nessa mesma tarde rejeitei ele com classe e elegância:

Menino:
''Bom dia
Tá tudo bem?''
''oi
na verdade não
obrigada pelas conversas loucas, foi bem legal
mas acho que confundi as coisas entre nós
acho melhor pararmos de conversar
obrigada ae''
''foi bem legal mesmo
que pena que você acha isso
mas se quiser conversar, é só chamar''

Lacrei. Ele foi bem legal também. Só fiquei meio chateada que ele nem sequer perguntou o porquê disso. Bem, confesso que até hoje não superei muito bem isso porque eu estava gostando dele de verdade, sabe? Na mesma semana ele saiu do grupo da festa de halloween porque o melhor amigo dele achou que seria melhor para mim e mais confortável para todos se ele não fosse. Também acho.

Tudo isso me fez refletir sobre o que falei no último post, sobre se estou pronta para esse tipo de relacionamento. Eu estava tão ocupada pensando e sonhando com isso que me esqueci totalmente do enem nesse tempo. Meus estudos estão um fracasso e só agora estou conseguindo criar noção na minha cabeça para levantar e correr atrás do meu objetivo: fazer design. 

Apesar de tudo, aprendi muito. Praticar gratidão sempre me animou, então tenho tentado fazer isso com mais frequência. Eis aqui coisas que me alegraram nessa aventura:
  • Notei como tenho sorte de ter amigos tão maravilhosos;
  • Fiz um amigo (o namorado da minha amiga cupido);
  • Me aproximei dessa minha amiga cupido;
  • Descobri que talvez eu me encaixe como ''demissexual''
  • Aprendi muito sobre respeitar opiniões diferentes da minha;
  • Pratiquei defender minha opinião, mesmo que a outra pessoa force para que eu a mude;
  • Conheci novas visões de crenças;
  • Aprendi muito sobre mim mesma;
  • Cuidei da minha auto estima;
  • Percebi que posso ser muito confiante;
  • Vi como sou forte para controlar minha ansiedade e outras autossabotagens;
  • Conheci uma realidade diferente da minha;
  • Comecei a dar uma chance para que eu possa tentar conhecer as pessoas;
  • Vi que não preciso ter medo de ser eu mesma;
  • Valorizar muito mais a honestidade;
  • Saí da zona de conforto ao extremo :)
Ontem era para sairmos de casal. Mesmo que ele tenha saído fora, o convite ainda estava de pé para mim, mas acabei resolvendo não ir. Preferi colocar essa história para fora, aqui no lugar mais especial da internet para mim. O comentário da Geórgia me animou a fazer isso. Muito obrigada! Estou me sentindo bem mais leve, por incrível que pareça. Mas estou orgulhosa de mim por ter me permitido viver uma experiência tão diferente que me fez sentir tantas coisas diferentes. Viver coisas novas pode ser uma grande aventura.

Trilha sonora desse livro (na ordem de acontecimentos):
  1. magical - FTampa
  2. sunflower - Post Malone
  3. high school sweathearts - Melanie Martinez
  4. hot girl bummer - blackbear

Será que vai ter continuação?


15 outubro, 2019

só faça o que precisa ser feito | 011

Já tem um tempo que eu não faço nada de útil pra minha vida. Mais uma vez setembro foi um mês em que resolvi esquecer da escola. Não faço isso de propósito, muito pelo contrário, fiquei me sentindo muito culpada, mas eu simplesmente não conseguia estudar. Pelo terceiro ano seguido, setembro foi um mês em que eu, involuntariamente, estava mais preocupada sonhando com um relacionamento do que com minha própria vida. Nesse mês eu me permiti me apaixonar. Foi bem legal, na verdade. Com o fim desse mês, veio também um choque de realidade. Meu coração se machucou e só agora está começando a sarar. Acho que não estou pronta pra um relacionamento. Não tenho conseguido me relacionar nem comigo mesma, como faria isso com outra pessoa? A história é longa, talvez um dia eu a conte por aqui.
Depois de tanta alegria e dor ao mesmo tempo, só queria ficar deitada no sofá vendo séries até meu corpo e o móvel se fundirem formando uma coisa só. Atualmente estou assistindo Gilmore Girls. Ver que a Rory estava indo para a faculdade me fez pensar no que eu estava fazendo com a minha vida. Cara, faltam menos de 20 dias para o Enem. Eu quero muito entrar na faculdade no próximo ano e não estava movendo um músculo sequer para que isso acontecesse. Resolvi tomar uma atitude. Ontem eu decidi as matérias que estudaria no dia seguinte, programei o despertador para bem cedinho e fiz aquilo que planejei.

Hoje não aconteceu nada de extraordinário, muito pelo contrário. Só fiz o que tinha que ser feito e isso tornou o dia maravilhoso. Sentir que consegui ter disciplina em uma época tão decisiva no ano me deu o gás que eu precisava pra seguir em frente. Falta tão pouco. Posso até estar confiante mas não tenho controle do que vai acontecer. Pode ser que eu não passe no Enem. Mas quer saber? Se isso acontecer, pelo menos sei que não foi por falta de esforço. Mesmo tendo feito corpo mole durante um mês, o resto do ano foi super produtivo e estou disposta a dar tudo de mim faltando tão pouquinho pra chegar onde eu quero. Fazer o que se planejou é uma ótima forma de aumentar a autoestima, digo por experiência própria. Tô feliz por mim. Vai dar bom.


Obrigada por estar aqui! 💛

14 dezembro, 2018

update rapidinho | 010

àqueles que acompanharam essa saga de vontade e dedicação pra passar de ano: PASSEI! :')
Obrigada à todos que me motivaram e não deixaram de acreditar em mim! Tô muuuuito feliz!

08 dezembro, 2018

Eu tô exausta, quero desistir, mas não vou | 009


Falta pouquinho!
Olá fim de ano! Do dia 3 ao dia 12 de dezembro terei provas na escola e finalmente estarei de férias! Estou exausta! Queria poder dizer que vou fazer as provas de qualquer jeito pois já passei em tudo mas a situação em que me encontro é outra... Acontece que de 10 pontos que faltam pra distribuir eu preciso de exatmente 10 em química, física e matemática. :(
Eu tô muito cansada, ansiosa e com vontade de desistir, de verdade. Mas mais que isso, tenho muita vontade de estudar design na faculdade e sei que se eu me esforçar agora nessa semana vou estar mais perto de realizar esse (digamos) sonho.

 Psicóloga 
Hoje fui pela primeira vez à psicóloga na minha vida e até que foi legal. Como foi a primiera consulta minha mãe estava junto e conversamos de forma geral sobre mim. Ela me indicou fazer algum exercício que gaste mais energia e não só algo que eu goste, tipo yoga :( mas ela sugeriu pular corda e correr, que são coisas que eu gosto! Volto só dia 19/12 agora, espero que até lá as coisas estejam bem melhores!

Ansiedade, estress e perda de memória
Unhas roídas, pernas inquietas, mente vagarosa, noites mal dormidas e pouca motivação pra estudar são o meu Kit Ansiedade 2018. Estou muito cansada de estudar sem parar porque ainda não cheguei nos malditos 60 pontos em todas as matérias. Não adianta as pessoas dizerem que é fácil chegar nesse número: não é pra mim. Tenho dificuldade de aprender coisas que não vejo razão para existirem e que são muito estilo ''decoreba''. Gosto de associar imagens, fazer coisas manuais e de muitas cores, mas infelizmente o tipo de ensino das escolas não foca em todos os tipos de aprendizados dos alunos e isso é bem triste. Então me viro como eu posso. Estou lutando pra passar. Quero muito isso. Tô me esforçando bastante mas o que for pra ser, será!


Eu quero muito ir pro terceirão, de verdade!




Obrigada por estar aqui!


escrito dia 30/11 e finalizado em 08/12

09 outubro, 2018

Me chame de Cilis, por favor. | 008

Foto tirada a muito tempo atrás para um post de resenha, quando o Sopa de Sol ainda se chamava Good Vaibes. O post ficou horrível porque não sei fazer resenha e nunca foi publicado.

Faz um pouco menos de uma semana que eu estava passando por uma intesa solidão e para minha surpresa estava levando isso bem de boas, curtindo minha própria companhia e ao mesmo tempo sentindo falta de alguém pra comentar sobre as coisas. A real é que eu tinha brigado com a minha melhor amiga. É minha única amiga. A gente até conversou pra ver no que dava mas ainda sinto que temos pequenos conflitos internos que não temos coragem de falar uma pra outra.

Isso me lembrou uma amiga que eu tinha mas me afastei dela porque não me via mais feliz ao seu lado. Ela só me chamava de Ceci. Creio que esse é o apelido mais comum entre as Cecílias. Acontece que ficou estranho depois que paramos de conversar. Minha mãe inventou do nada um ''Cilis'' e eu amei. Me identifico muito mais com Cilis do que Ceci. As vezes fico incomodada com meu apelido anterior mas não julgo quem me chama assim. Ninguém tem culpa. Em ordem de como me chamam acho muito melhor Cilis > Ceci > Cecília. Antes apelido incômodo que nome ''completo'', por favor.

No começo desse ano eu li Extraordinário e ele me motivou tanto a ser melhor e mudar! Quero lê-lo de novo pra ver se eu consigo essa carga de energia boa de novo. A real é que eu estou exausta. A escola consome muito de mim e dormir não tem me aliviado tanto quanto antes. As coisas estão bem chatinhas mas quero poder mudá-las. Onde arrumar motivação? Preciso de um tempo a toa, sem minha culpa ao meu lado me dizendo pra estudar ou fazer algo útil. Queria sair um pouco de mim. Espero que o feriado me ajude nessa, porque nem na semana das crianças eu tenho paz por causa da escola.

Tenho ideias diferentes de posts pra fazer. Posts que nunca vi em nenhum outro blog e penso nelas a muito tempo. Acho que o fato de ser algo novo me assusta. Deveria tentar algo novo ou continuar na zona de conforto? Eu meio que já sei a resposta dessa pergunta, mas sabe quando você precisa de uma ajuda externa? Essa é a maior desvantagem de estar sozinho, pra mim. Você não tem alguém para ajudar e nem para te ajudar.


4 parágrafos. Uma menina cansada. Acho que vou estudar. Obrigada por estar aqui!

Pessoas incríveis demais (meus ingredientes secretos):